A Inesquecível Hungria de 1950 a 1954

18 de janeiro de 2024


A era dourada do futebol húngaro entre 1950 e 1954 foi um capítulo extraordinário na história do esporte, marcado pelo domínio indiscutível do “Time de Ouro”. Este período glorioso viu a seleção húngara conquistar 20 partidas consecutivas de maneira invicta, deslumbrando o planeta bola com exibições magníficas e uma série impressionante de goleadas. A beleza e ofensividade do futebol húngaro tornaram-se uma referência global, solidificando sua posição como potência futebolística.

Após a impressionante vitória nas Olimpíadas de 1952, realizadas em Helsinque, as expectativas para a Copa do Mundo de 1954 eram enormes. O “Time de Ouro” emergia como o favorito incontestável, mas encontrou um desafio à altura na Alemanha, além dos desafios inerentes de jogar como visitante na terra dos anfitriões. A derrota na final da Copa do Mundo de 1954 foi um golpe dolorido para aquela geração talentosa, que, apesar de todas as glórias, não conseguiu erguer o troféu mais cobiçado do futebol.

A Hungria, por alguns anos, assumiu o papel de referência mundial no futebol, impulsionada não apenas pelos feitos da seleção nacional, mas também pelo surgimento de jogadores habilidosos que se tornariam lendas. Entre esses ícones, destacam-se nomes imortais como Ferenc Puskas e Jószef Bozsik. No entanto, a força do Honved, clube que serviu como alicerce para a seleção húngara, foi consolidada com a chegada de talentos adicionais, como Sándor Kocsis, Zoltán Czibor e László Budai. Estes jogadores foram recrutados do Ferencvaros, à época considerado o maior time da Hungria, mas que enfrentou boicotes do governo devido às suas ligações com a extrema-direita.

O Honved, outrora um experimento em formação, transformou-se na espinha dorsal da seleção húngara. A decisão de recrutar os melhores talentos do país revelou-se estratégica, consolidando a equipe como uma potência incontestável. A Hungria adotou um sistema de jogo revolucionário, o 4-2-4, que, em determinados momentos, se transformava em variações como 3-5-2 ou 2-3-5, criando um estilo único conhecido como “MW”. Neste esquema, um dos zagueiros assumia a responsabilidade de se juntar ao ataque durante a posse de bola, enquanto o atacante de referência recuava para participar da construção do jogo, demonstrando uma flexibilidade tática que confundia e superava os adversários.

Assim, a Hungria não apenas brilhou nos gramados com suas performances espetaculares, mas também moldou a própria essência do futebol, introduzindo conceitos táticos que seriam replicados ao longo das décadas. As lições do “Time de Ouro” permanecem influenciando a rica história do futebol húngaro e servindo de referência para amantes do esporte em todo o mundo.


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